segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

Vinhos da Quinta do Perdigão estarão à mesa no próximo jantar vínico da Portugal Wine Castes

Notícia DÃO E DEMO
Será a 10 de março o próximo jantar vínico da Portugal Wine Castes (PWC) e desta feita os vinhos que irão acompanhar os comensais serão os vinhos produzidos pela Quinta do Perdigão, situada em Silgueiros, na região demarcada do Dão.
Diga-se, aliás, que as “hostilidades” estão aprazadas para o dia 10 de março a partir das 20:00 e à mesa estará o proprietário da quinta, José Perdigão, o rosto mais emblemático destes excelentes vinhos do Dão, mas também estará no salão da PWC a obreira dos vinhos que consagram a marca, a enóloga Mafalda Perdigão, para explicar os segredos destes produtos que têm conquistado tantos “palatos”.
Mas se nestas questões dos vinhos, o conteúdo é o elemento central, não nos esqueçamos que vivemos em tempos de mercado global, de imagem, de marcas e aí entram também as garrafas e os rótulos. E para isso nada melhor do que contar também à mesa deste jantar vínico com a presença da pintora Vanessa Chrystie Perdigão, autora dos rótulos do vinho branco e rosé.
A reserva para o jantar é obrigatória e é bom com os apreciadores destes eventos não se atrasem a fazer a marcação através do email “geral@pwinecastes.com” ou do contacto telefónico 232 441 179.
O preço do jantar é de 30,00€ e todos os vinhos da Quinta estarão com uma campanha promocional de 15% de desconto.
Foto: Quinta do Perdigão

domingo, 19 de fevereiro de 2017

Prefácio do livro '4 gerações'*

* Prefácio do livro “4 gerações”, de Júlio Carvalho, uma edição do autor de 2016.
Não conhecia esta faceta do amigo e conterrâneo Júlio Carvalho, a da escrita literária.
Apesar de Júlio Carvalho, radicado há décadas em Cascais, ser natural do concelho de Sátão, tal como eu, mais concretamente de Rio de Moinhos, só privei com ele de uma forma mais próxima e intensa nos últimos anos, aquando da minha passagem pela Assembleia da República, onde o recebi e desde logo me apercebi de algumas das suas muitas paixões de vida. Pela história, pela marinha, pela música, pela azulejaria, pelo património, muito pelas artes!
Percebi-o, desde a primeira hora, guloso pelo saber, pelo conhecimento, pela cultura, pela política e um homem sempre atento aos pormenores e aos recortes mais subtis de uma pintura ou de um contador feito de pau-santo, cujo escrutínio das especificidades e do estilo não lhe escapam.
A sua paixão pela escrita, essa, só agora me foi revelada. E quando digo agora, digo há escassos meses.
Júlio Carvalho confrontou-me com a sua escrita. Primeiro com um pequeno conto – diálogos (im)possíveis com Natália Correia – e, mais recentemente, com este livro, “4 gerações”; livros que não me deixaram indiferente, sobretudo este último, um livro, um romance, com muita autobiografia, de grande envergadura. Estas obras abriram-me mais uma janela de análise sobre um homem multifacetado, um apaixonado cidadão do mundo, que não se deixando tolher pelos horizontes da sua terra, navegou oceanos fora perscrutando o mundo e construindo a sua mundividência em cada país que demandou e em cada cidade em que aportou.
E é isso que nos traz neste “4 gerações”. Viagens. E neste livro de viagens, Júlio Carvalho, qual Fernão Mendes Pinto, abre-nos fronteiras, revela-nos tantos cantos e recantos. Mas engana-se quem pensa que o livro se fica por aí. Pelas descrições, pelos olhares sobre os monumentos, sobre as paisagens. Não, as viagens têm personagens. As viagens são locais de destino de homens e mulheres em passeio, nas férias, mas também em inambulações de amor, algumas de amores furtivos, de fugas.
Este “4 gerações” traz-nos famílias em digressão, homens e mulheres em roteiros de núpcias e tantos outros em itinerários senão proibidos pelo menos um pouco à margem, pois têm que estar escondidos, uns por enquanto, outros para sempre.
E se os locais das viagens nos são trazidos pelo autor com coordenadas exatas e com os ângulos dos rumos e dos azimutes bem traçados, já quanto aos personagens, percebe-se que “qualquer semelhança com a realidade é pura coincidência”, embora em alguns casos nem tanto. O autor tece uma urdidura fina e muitas vezes só ficcionará, mesmo, o nome dos homens e mulheres que nos traz à estampa.
Júlio Carvalho neste livro revela-se um cronista exímio quando nos leva ao oriente, a Macau, ao Casino Lisboa ou à gruta de Camões. Quando nos transporta até à China, a Xian ou a Pequim. E quando nos especifica os espaços, com pormenores de fazer inveja aos ourives de filigrana, sabe-se que é uma escrita feita com a alegria de quem palmilhou as pedras da calçada e sentiu as maresias do Índico, do Atlântico ou do Pacífico. De quem atravessou as mornas chuvas intertropicais ou demandou as águas frias do mar do Norte.
E é com esta precisão descritiva de lugares, circunstanciada com dados históricos, com elementos sociopolíticos e económicos, que Júlio Carvalho nos desvenda o Brasil, de João Pessoa a Manaus, ou o México, de Acapulco a Oaxaca, ou da serra Madre Ocidental a Cancun.
E o museu do Cairo, o grande Canyon e o rio Jordão? E a torre Eiffel, os canais de Veneza, Salzburgo ou Viena?
Sim, também lá estão, como lá estão as viagens cá dentro. Lá está o Estoril, Sintra, Lisboa, Cascais, Sesimbra e tantos outros pedaços de Portugal.
Estamos perante um livro denso, cheio de memórias e de histórias. Um livro com pares de namorados, com amores e desamores, com tantas navegações profundas e ousadas e aqueloutras tão superficiais.
Júlio Carvalho, numa narrativa sedutora, proporciona-nos nestas viagens a companhia de inúmeras personagens, Miguel Roldão, Joana, Daniel, Patrício, António Lima, Malvina, João Varela, Alexandre, Diana e tantos outros… e com palavras precisas fala de luas-de-mel, de danças de sedução, de fins de semana ardentes, de namoros arrebatadores.
Enfim, um livro de vida, um livro com vidas, um livro vivido. Assim o seja para os leitores!

sábado, 11 de fevereiro de 2017

Mais uma grande feira do queijo Serra da Estrela,em Penalva do Castelo

Notícia DÃO E DEMO
Francisco Carvalho era um autarca feliz, este sábado, ao final da manhã, após a abertura oficial de mais um certame que visa dinamizar e promover um dos produtos mais emblemáticos do seu concelho e da região, o queijo Serra da Estrela.
Foi, acompanhado pelo ministro adjunto Eduardo Cabrita, que o ouvimos congratular-se com a excelência destas mais-valias para o seu território e com o trabalho empenhado de todos quantos diariamente fazem desta actividade, da pastorícia e do queijo, o seu modo de vida e a quem ele agradeceu em nome do município.
Este evento, que vai na XXVI edição, contou com a presença de Eduardo Cabrita, também um governante positivamente surpreendido com todo este dinamismo e com estas actividades ligadas ao mundo rural que vão conferindo sustentabilidade e coesão ao interior do nosso país.
Nesta edição de 2017, depois das palavras iniciais, e de uma visita aos stands dos vários produtores, teve lugar uma prova de queijo Serra da Estrela acompanhada com vinho do concelho, com broa e com uma maçã bravo de Esmolfe como sobremesa.
Fizeram questão de estar presentes, em união e coesão com o concelho anfitrião, inúmeros autarcas da região, mas também os responsáveis regionais do ministério da agricultura, do turismo e representantes dos serviços descentralizados do Estado.
Durante a tarde de sábado o programa “Aqui Portugal” fez o resto da festa e levou este concelho e este produto aos quatro cantos do mundo onde se fala em português, nomeadamente aos locais onde há vastas comunidades de Penalva do Castelo, como é o caso de Cumberland, no estado de Rhode Islands, nos Estados Unidos da América, mas também na Europa, como são os casos da Suiça, França e Inglaterra.

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2017

Acessibilidades às áreas empresariais de Mundão e Sátão (EN 229) contempladas com 15 milhões

NOTÍCIA DÃO E DEMO
Com a designação de “Acessibilidades ao Parque Industrial do Mundão (Sátão)” o governo afetou a esta obra que envolve os municípios de Viseu e de Sátão a verba de 15 milhões de euros no programa apresentado esta terça-feira, dia 7 de fevereiro, integrada no Programa de Valorização das Áreas Empresariais, que tem como objetivo reforçar a competitividade das empresas, potenciar a criação de emprego e aumentar a exportações.
Quer isto dizer, segundo apurámos junto de fonte que não quis ser identificada, que se se cumprir o protocolo assinado em 2015 na Câmara de Viseu entre as Infraestruturas de Portugal e os municípios de Viseu e de Sátão, a EN 229 vai ser alvo de obras de beneficiação que há tanto se aguardam.
A apresentação deste programa decorreu, no Entroncamento, numa sessão presidida pelo Primeiro-Ministro, António Costa, e em que participaram o Ministro do Planeamento e das Infraestruturas, Pedro Marques, além de autarcas e empresários.
Segundo as Infraestruturas de Portugal (IP), o Programa representa um investimento global de 180 milhões de euros e desenvolve-se em dois eixos, nas três regiões de convergência (Norte, Centro e Alentejo).
Para a criação e expansão de áreas empresariais estão previstos 78 milhões de euros, através da abertura de concursos dos programas operacionais do Portugal 2020, aos quais podem concorrer as autarquias que pretendam melhorar as condições de instalação de empresas.
Outros 102 milhões de euros estão reservados para investir em 12 ligações rodoviárias destinadas a melhorar as ligações entre áreas empresariais já consolidadas e a rede viária existente.
Em termos regionais, 112 milhões de euros serão investidos na Região Norte 50 milhões de euros na Região Centro e 18 milhões de euros na Região do Alentejo.
Ligações rodoviárias que integram o Programa:
Ligação do Parque de Negócios de Escariz (Arouca) à A32 (Sta. Maria da Feira)
Ligação à Área Industrial de Fontiscos (Santo Tirso)
Ligação da Zona Industrial de Cabeça de Porca (Felgueiras) à A11
Ligação do Parque Empresarial de Formariz (Paredes Coura) à A3
Ligação do Parque Empresarial de Lanheses à ER305
Via de Acesso ao Avepark em Guimarães - Parque de Ciência e Tecnologia das Taipas (Espaço Industrial Gandra)
Melhoria das Acessibilidades às Áreas de Localização Empresarial de Famalicão Sul (Ribeirão e Lousado)
Melhoria das Acessibilidades à Área de Localização Empresarial de Lavagueiras (Castelo e Paiva)
Acessibilidades ao Parque Industrial do Mundão (Sátão)
Acessibilidades à Zona Industrial de Riachos (Entroncamento, Golegã, T. Novas)
Ligação da Zona Industrial de Rio Maior à EN114
Melhoria das Acessibilidades à Zona Industrial Campo Maior

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017

Onde fica o centro histórico de Sátão?

Artigo DÃO E DEMO
Por: Abel Estefânio
«Temos assistido, um pouco por todo o país, à revitalização dos centros históricos, quer pela reabilitação do seu património edificado, quer em termos de animação cultural e turística, pela realização de múltiplas atividades ligadas ao património imaterial desses lugares. No que respeita ao Sátão, por consulta da ata da reunião da Assembleia Municipal de 23 de junho de 2016, tomamos conhecimento da criação de um centro histórico centrado no edifício da Câmara Municipal (inaugurado em 1959), contendo a Biblioteca Municipal, o Bussaquinho, as Vigárias e a Rua de Angola. Ora, como referiu na altura o deputado Acácio Pinto, esta definição desvirtua o conceito de Centro Histórico, conhecido por se referir a núcleos antigos e monumentais anteriores ao século XIX.
Onde fica então o centro histórico do Sátão? Para a resposta a esta questão vamos fazer uso do manancial de documentação histórica de que o concelho dispõe, que nos mostra que na freguesia de Sátão (anteriormente designada por paróquia de Nossa Senhora da Graça), a localidade mais populosa não era a Vila da Sátão (anteriormente Vila da Igreja), mas o Tojal. A Vila de Sátão só adquiriria maior importância como centro urbano a partir do século XIX, pela integração no concelho de Sátão dos concelhos extintos de Rio de Moinhos, Silvã, Ladário, Gulfar e Ferreira de Aves e pela criação da respetiva comarca, em 1876.
O Tojal seria, portanto, antes do século XIX, a povoação mais importante do antigo concelho, e, certamente por esse facto, era a única nomeada nos mapas de Portugal desde o século XVI até ao século XVIII. Veja-se «Toial» (o «i» na grafia arcaica deve ler-se «j»), sensivelmente no centro do pormenor que apresentamos de dois mapas de Portugal, sendo o mais antigo de cerca de 1560. Repare-se, pois, que a importância da localidade do Tojal é mesmo anterior à fundação do Convento de Nossa Senhora de Oliva no século XVII.
Devo dizer que escrevo estas linhas sobre o Tojal na sequência de um colóquio a que tive a oportunidade e o prazer de assistir no passado dia 27 de janeiro, na Casa da Cultura de Sátão, subordinado ao tema “Património religioso, fé, arte e cultura”, que contou com uma completa enchente do auditório de interessados pela arte, património religioso, e cultura, que temos no nosso concelho. A organização deste colóquio foi do jornal digital Dão e Demo e do Agrupamento de Escolas de Sátão, tendo-se contado com o apoio do Município de Sátão, da Caixa Agrícola do Vale do Dão e do Alto Vouga, da rádio Alive FM, do Jornal Caminho e da Gazeta de Sátão. O colóquio foi moderado por Acácio Pinto, professor no Agrupamento de Escolas de Sátão, tendo como convidados Maria de Fátima Eusébio, do departamento dos bens culturais da diocese de Viseu, padre José Cardoso, pároco de Sátão e arcipreste do Dão e Carlos Paixão, professor do Agrupamento de Escolas de Sátão. Na abertura intervieram a diretora do Agrupamento, Helena Castro, e o presidente da Câmara de Sátão, Alexandre Vaz.
São muitas as ilações que se podem reter deste colóquio, pelo que só vou focar a minha atenção naquela que se me afigurou a mensagem mais dramática e a necessitar mais da nossa atenção. A Professora Doutora Fátima Eusébio referiu a igreja de Nossa Senhora da Oliva, no Tojal como a situação mais preocupante que tem na diocese de Viseu, mencionando a rápida degradação dos altares, que, se não forem sujeitos a uma intervenção, ameaçam a derrocada.
Outro fator de preocupação reside na situação de impasse da casa brasonada anexa à igreja, que é propriedade da Fundação São José. Dado os sucessivos fracassos na tentativa de a utilizar para fins de solidariedade social, seria de estudar a sua utilização para outros fins mais adequados a tão nobre e histórico local, quiçá uma pousada atendendo que a vila não dispõe atualmente de oferta de alojamento, libertando com isso os meios necessários à prossecução de obras sociais noutro lugar que se manifeste mais propício para o efeito. Tanto quanto me é dado perceber, uma ação que no imediato se poderia realizar era o levantamento arqueológico do local, pré-requisito de qualquer intervenção que se venha a realizar no futuro, e para o qual existe a possibilidade de ser comparticipado em 90% dos custos.
Questionado o presidente da autarquia sobre a situação da igreja da Oliva e da casa brasonada do Tojal, este informou não existir atualmente nenhum plano para abordar a questão. Constatamos assim, com apreensão, que apesar de a igreja da Oliva ser monumento de interesse público, nada se está a fazer para combater a sua degradação e que o Tojal, apesar de conter um património monumental considerável, é tratado como um subúrbio sem interesse, tendo ficado de fora do projeto de obras de requalificação a candidatar no programa Portugal 2020. Temos, contudo, espectativas de que a situação se possa alterar pela positiva. Como disse o Professor Carlos Paixão no colóquio, o facto de se reunirem sessenta pessoas numa noite de inverno para discutir o património já é um resultado excelente.
[Nota quanto ao mapa] Extrato de Mapa de Portugal, de cerca de 1700. Repare-se que, depois do destaque natural com que é assinalada a cidade de Viseu, o Tojal, assim como o Castelo de Ferreira de Aves, aparecem com a mesma sinalética utilizada de monumento com que é assinalado Trancoso. As localidades de importância menor são assinaladas apenas com um pequeno círculo.»
Texto publicado no Facebook de Abel Estefânio

terça-feira, 31 de janeiro de 2017

Paula Cristina Cardoso: É de Sátão a nova diretora do Museu Nacional Grão Vasco

Notícia DÃO E DEMO
Paula Cristina Cardoso, natural das Pedrosas, concelho de Sátão, onde reside, é a nova diretora do Museu Nacional Grão Vasco, iniciando funções esta quarta-feira, dia 1 de fevereiro, na sequência da não renovação da comissão de serviço de Agostinho Ribeiro, que cessa funções esta terça-feira dia 31 de janeiro.
Paula Cardoso, de 42 anos, é técnica superior do Museu Nacional Grão Vasco, sendo responsável pelas áreas de recursos humanos e administração geral do museu, e vai exercer as funções de diretora em regime de substituição, ao que Dão e Demo apurou, por nomeação da diretora geral do património cultural.
Com o curso de programação e gestão cultural, a nova diretora do museu é licenciada pela Universidade Católica, pólo de Viseu, que lhe conferiu a qualificação de professora do ensino básico e secundário, em inglês e alemão, tendo desenvolvido trabalhos de coorganização e assessoria em vários congressos relacionados com o património e nos múltiplos eventos que o museu tem organizado, nomeadamente na programação das comemorações do centenário do Museu Nacional Grão Vasco que está a decorrer desde março de 2016.
Tem ainda participação, em co-autoria, em obras na área da cultura.

domingo, 29 de janeiro de 2017

Fé, arte, cultura e património no concelho de Sátão*

[* Texto de abertura do colóquio “Património religioso, arte, fé e cultura” que se realizou no dia 27 de janeiro na Casa da Cultura de Sátão]
Desde sempre que na génese da criatividade humana, do movimento da humanidade, esteve a fé.
Tanto esteve ontem como hoje está, tem que estar, dentro de cada um de nós essa inquebrantável atitude de acreditar. Traduza-se ela numa adesão absoluta a ideias ou princípios religiosos, ou numa crença profunda nas nossas capacidades de projetar, de fazer.
Mas, porventura, a vertente da simbiose, fecundante, diga-se, entre a adesão aos princípios religiosos e a crença nas capacidades humanas, tenha sido aquela, foi aquela, que mais arte e património gerou em todas as civilizações; tendo na sua génese a batuta e o escopo de milenares artistas e arquitectos, ou tendo a pá e a picareta de tanto povo anónimo como o nosso.
E é precisamente esta vertente que aqui hoje nos traz. Falar da arte, do património religioso, da cultura, que temos na nossa terra, no nosso concelho, fruto da fé, dessa fonte de energia primícia. Que temos no nosso território disseminada por igrejas, capelas e conventos, fruto dessa fé forte, dessa fé dura, dessa fé tantas vezes crua, mas tão genuína, de tantos dos nossos que ontem quiseram assinalá-la através deste vasto legado que nos chegou até hoje, até aqui, até agora. Desta herança tão diversificada e tão rica, tão multifacetada e tão valiosa. Seja nos retábulos, nos cálices da consagração, nas talhas, nas procissões, nos santos padroeiros, nos sinos altaneiros ou nas pedras esculpidas do chão da igreja assinalando que ali jazem homens e mulheres que ontem os seus pares quiseram perpetuar.
Aqui estamos, pois, para debater, sobretudo para falar do património, da arte, da cultura, da fé. De elementos que sempre acompanharam esta deriva do homem, esta nossa deriva, neste cosmos que nos envolve e de que somos parte integrante. Para reflectir em torno destes temas tão perenes, mas sempre tão atuais. Para convosco interagirmos sobre estes valores que venceram e vencem, todos os dias, as barreiras do esquecimento.
Para interagir connosco convidámos Fátima Eusébio, dispensa apresentações, é doutorada em História da Arte, professora universitária com vasta obra publicada e neste momento a desempenhar funções no departamento dos bens culturais da diocese de Viseu. Convidámos, igualmente, José Cardoso, pároco de Sátão, Mioma, Rio de Moinhos e São Miguel de Vila Boa e arcipreste do arciprestado do Dão. E connosco temos também, Carlos Paixão, mais do que professor do Agrupamento, também ele um apaixonado pelas questões culturais, pelo património e com vasta obra publicada.
É pois através deles e com eles e convosco que hoje aqui queremos estar e daqui queremos sair um pouco mais, um tudo-nada, enriquecidos, mas sobretudo daqui sair com um maior sentimento de pertença.
Da minha parte tentarei moderar, moderadamente. Obrigado a todos.
Foto: Miguel Azevedo | Alive FM